Sindicato sugere diminuir produção
Em duas assembleias realizadas na manhã e tarde desta sexta-feira (3), os trabalhadores do setor têxtil decidiram aguardar uma nova posição da classe patronal sobre as negociações salariais deste ano. O impasse impera desde o início do mês, quando os patrões propuseram reduzir percentuais do adicional noturno e retirar algumas clausulas existentes na convenção coletiva da categoria.
As assembléias foram realizadas na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Têxteis, Tinturarias, Fiação e Tecelagem de Brusque e região (Sintrafite). O presidente da entidade, Aníbal Boettger, explicou que a orientação passada à classe é para que se proteste, "dessa vez dentro das próprias empresas". Ou seja, uma saída é diminuir o ritmo de produção, afim de demonstrar aos patrões a insatisfação com o caso.
"Não adianta mais fazer manifestação pública, se lá dentro o setor produtivo não for afetado. Agora é o momento de demonstrar insatisfação lá dentro", disse Aníbal, confirmando que uma nova assembleia, desta vez única, será realizada no próximo domingo (12), às 9 horas, para debater uma eventual nova proposta dos empresários que. segundo Boettger, devem se reunir na quinta-feira (9).
De acordo com o sindicalista, o sindicato patronal oferece reajuste de 6,3% na negociação deste ano, além de propor a redução do adicional noturno de 38% para 30%, pago aos trabalhadores que ingressarem no ramo a partir do fechamento da negociação deste ano.
Aníbal disse ainda que há um pequeno grupo de empresas que insiste na proposta da redução do adicional e da retirada de outros itens da convenção coletiva, não representando a opinião da maioria das que integram o setor, que seriam mais de 400 ao todo. Estas, no entanto, possuem voto decisivo dentro do sindicato patronal.
Porém, ainda segundo ele, um significativo número de empresas confirmou que não vão seguir a orientação da patronal, continuarão mantendo o pagamento do adicional de 38% e já acenaram com reajuste de 7% para os trabalhadores.
"Temos que demonstrar descontentamento. E, se tivermos que realizar um movimento, se não geral, que abranja todas as empresas, pelo menos estas que decidem sobre o patronal", finalizou o sindicalista.
As assembléias desta sexta-feira contaram com a presença de representantes do Sindicato dos Mestres e Contramestres (Sindmestre), que também representa uma boa parcela dos trabalhadores têxteis.
Colaboração: Michel Patitucci


